Planeta Água

   A água é de extrema importância para a manutenção de todos os seres vivos no planeta Terra. É abundante, mas apesar de cobrir 70% do planeta, somente 4%  é doce e própria para o consumo.

   Com o aquecimento global ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, desmatamento e a queimada de florestas e matas, temos experimentado muitas mudanças climáticas como secas, chuvas torrenciais, enchentes, tornados e etc. como também o aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento das calotas polares.

   Em muitos países da África e Oriente Médio, muitos cidadãos nem tem água própria para o consumo e muitas vezes são obrigados a andar quilometros para conseguir um pouco de água.

   Sem a água potável, temos desnutrição, fome, doenças e não há agricultura ou pecuária que resista. Água é fonte de vida, e para que a escassez de água não nos atinja num futuro próximo, algumas atitudes precisam ser tomadas com urgência. Evitar o desperdício é garantir um futuro melhor. Sem água, o ser humano, como todos os outros seres vivos, fica desidratado e pode sucumbir em poucos dias.

   Nesta página, vamos dar uma olhada no que vem acontecendo como nosso bem tão precioso, a ÁGUA ...

Cientistas identificam como a acidificação do oceano enfraquece os esqueletos de corais

A acidificação do oceano é causada por níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera, principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Muitos organismos marinhos que produzem conchas de carbonato de cálcio ou esqueletos são impactados negativamente pelo aumento dos níveis de CO2 e a diminuição do pH na água do mar. A acidificação do oceano é considerada uma grande ameaça para os ecossistemas de recifes de corais, porque reduz a disponibilidade de íons de carbonato que os recifes de corais em desenvolvimento precisam para produzir seus esqueletos. Eles são muito frágeis às mudanças ambientais

Os cientistas da Instituição Oceanográfica Woods Hole, Anne Cohen (à esquerda) e Nathan Mollica extraem amostras de núcleo de um coral de Porites gigante na Baía de Risong, Palau. Eles são co-autores de um novo estudo nos Procedimentos da Academia Nacional de Ciências, mostrando como o aumento da acidificação do oceano afetará o crescimento do esqueleto coral. Crédito: Richard Brooks, Lightning Strike Media Productions, Palau

Pesquisadores do Instituto Oceanográfico de Woods Hole em Massachusetts nos EUA, mostraram que a acidificação do oceano impede o processo de espessamento - diminuindo a densidade dos esqueletos e deixando-os mais vulneráveis à quebra. Os esqueletos de coral são feitos de aragonita, uma forma de carbonato de cálcio. Os corais crescem seus esqueletos para cima, em direção à luz solar e também os espessam para reforçá-los, empilhando feixes de cristais de aragonita, um em cima do outro. Ao mesmo tempo, eles engrossam esses feixes com cristais adicionais, o que fortalece os esqueletos e os ajudam a resistir a quebras causadas por correntes, ondas, tempestades e mordidas de moluscos e peixes.

O CO2 combina-se com a água no oceano para produzir ácido carbônico. Este processo resulta na liberação de um próton (H+), que então combina-se com o ion carbonato (CO3). Isto diminui a concentração de carbonato na água do mar, dificultando a calcificação dos organismos. Fonte: O. Hoegh-Guldberg e colegas. 2007. Coral Reefs Under Rapid Climate Change and Ocean Acidification. Science 318 (5857)? 1737 - 1742

Para entender melhor esses processos, os pesquisadores examinaram o processo de crescimento de corais e mostraram que, à medida que os íons de pH e carbonato diminuem na água do mar, o mesmo acontece com as concentrações de íons de carbonato no espaço de calcificação dos corais. Conseqüentemente, os corais não podem produzir tanta aragonita para engrossar o esqueleto. Os corais continuam a investir em crescimento ascendente, mas a "densificação" ou o engrossamento são prejudicados. Como resultado, os corais em águas de pH mais baixas criam esqueletos mais finos que são mais suscetíveis a danos causados por ondas de pancadas ou ataques por organismos erosivos.

A pesquisa incorpora os nuances do crescimento do esqueleto dos corais, e permite projeções mais precisas de como, onde e o quanto a acidificação dos oceanos afetará o desenvolvimento dos recifes de corais tropicais. A pesquisa desenvolveu um modelo numérico simulando este mecanismo detalhado de crescimento esquelético e acoplou-o com mudanças projetadas no pH do oceano (uma medida de sua acidez) induzida pela mudança climática global. Os resultados mostraram que declínios na densidade esquelética do coral ocorrerão em muitos recifes de corais. O impacto será especialmente forte na região do Indo-Pacífico*, com reduções de até 20 por cento nas densidades de esqueletos de coral no ano de 2100 onde se localiza do Triângulo de Coral - a área delimitada pelas águas da Indonésia, Malásia, Filipinas, Papua Nova Guiné, Timor Leste e Ilhas Salomão. Os corais no Caribe, no Havaí e no Mar Vermelho Setentrional podem estar em melhores condições, dizem os autores, com declínios de menos de 10% causados apenas pela acidificação do oceano. 

*a região do Indo-Pacífico possui quase 600 espécies de corais diferentes

Os pesquisadores observam que a acidificação dos oceanos não está acontecendo isoladamente e que outras mudanças, como o aquecimento do oceano, também afetarão o crescimento dos corais. Os corais possuem importante função ecológica; além da sua atividade filtradora, oferecem proteção aos sistemas costeiros formando uma barreira natural para as marés. Também servem de alimento e abrigo para diversos elementos, pois são ecossistemas muito ricos em biodiversidade, abrigando uma infinidade de espécies de peixes, moluscos, crustáceos, cnidários e algas.

 

  O aquecimento global é uma realidade que tentamos ignorar, e nós seres humanos temos uma grande parcela de contribuição no aceleramento de ocorrências de fenômenos ligados às mudanças climáticas. O modelo socioeconômico praticado na atualidade provoca diversas consequências negativas ao meio ambiente, pois estamos consumindo recursos além da capacidade de renovação da Terra. 

 

    O aquecimento global afeta diretamente o clima, a vegetação, a fauna e os ecossistemas terrestres e aquáticos. Muitos destes problemas ambientais já podem ser sentidos como, por exemplo, o derretimento das calotas polares e o aumento da temperatura no planeta.  Segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) "a temperatura da atmosfera e dos oceanos se elevou, a quantidade de neve e de gelo diminuiu e o nível do mar e de concentração de gases de efeito estufa aumentou”, destacou um dos coordenadores do relatório, Qin Dahe. O derretimento das calotas polares provoca o aumento da quantidade de água nos oceanos, podendo provocar, em breve, o alagamento de cidades litorâneas e a submersão de ilhas; como também o desaparecimento de espécies vegetais e animais.

 

 

 

 
 
Aquecimento global

 Segundo o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2015 do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento/Banco Mundial diz que "os seres humanos preocupam-se muito mais com o presente do que com o futuro, e muitos dos piores impactos da mudança climática podem ocorrer daqui a vários anos." Se continuarmos neste ritmo de desenvolvimento, o nível global dos mares vai continuar a subir, mas em um ritmo mais rápido do que experimentamos nos últimos 40 anos” disse o pesquisador Qin Dahe. Isto colocará em risco várias populações  em diversas partes do mundo. Como exemplo no litoral brasileiro, temos a  Praia de Atafona no estado do Rio de Janeiro que já enfrenta o problema e pode desaparecer para sempre. No mesmo ritmo outros lugares como o Delta do Ganges em Bangladesh; Ilhas Maldivas; Veneza na Itália; Tuvalu no oceano pacífico, Roterdã na Holanda; Bangcoc na Tailândia e outros mais poderão ficar totalmente submersos já nas próximas duas décadas.

 

    Já Josh Willis, oceanógrafo no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, afirma que as pessoas precisam se preparar, " Nós vamos continuar vendo o aumento do nível dos mares por décadas, talvez séculos. Medições realizadas pela Nasa (National Aeronautics and Space Administration) apontam que a Groenlândia tem perdido anualmente, desde 2004, 303 gigatoneladas de gelo. Na Antártica, a perda é de 118 gigatoneladas. Na Groenlândia, a perda de gelo tem se acelerado em 31 gigatoneladas por ano desde 2004, enquanto na Antártica a aceleração é de 28 gigatoneladas. Os números são alarmantes. De acordo com Ian Joughin, glaciologista na Universidade de Washington, "na Groenlândia, tudo se aqueceu ao mesmo tempo: o ar, a superfície do oceano e as profundezas." Desde o começo do século XX, o mar já teve seu nível elevado em 20 centímetros, sendo 7,4 centímetros apenas nos últimos 23 anos.

 

    Em contrapartida, alguns cientistas alegam que o aquecimento global não é resultante da atividade humana, e que os fatos apresentados pelo IPCC como causadores do aquecimento global, principalmente a intensificação do efeito estufa causada pelo homem, não possuem comprovação científica. Estes cientistas, como o professor Luis Carlos Baldicero Molion da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e pesquisador do Inpe, apontam como possíveis causas a elevação da temperatura de origem natural,  o aumento da produção de energia solar e de raios cósmicos (radiação ionizante emitida pelo Sol), a formação das nuvens e a diminuição do albedo planetário (percentual de radiação de ondas curtas refletida de volta para o espaço exterior), pois não houve nenhuma grande erupção vulcânica, e a atmosfera ficou mais transparente e entrou mais radiação solar, o que resultou no aumento da temperatura. Estes cientistas concluem que os fatores naturais sobrepõem-se às ações antrópicas.

 

    Enquanto isso, a maioria dos cientistas que estudam o clima concordam que a principal causa da atual do aquecimento global é a expansão humana do "efeito estufa". As medições dos satélites da NASA confirmam que a Antártida está realmente perdendo massa e através da Operação Ice Bridge na Antártida e no Ártico realiza um levantamento aerogeofísico sobre mudanças no gelo polar da Terra. O fato é que mudanças estão ocorrendo, porém tanto o aquecimento global e como o derretimento das geleiras ainda necessitam de estudos mais profundos e conclusivo.

   

   A situação é de tal forma tão alarmante que em Dezembro de 2015, mais de 95 nações se reunirão em Paris para a Conferência do Clima, COP 21 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas). Será um momento decisivo para somar esforços que visem combater as mudanças pelas quais o clima mundial está sofrendo.

 

 

Laurence Smith (Universidade da Califórnia, Los Angeles) implanta um barco a deriva autônomo equipado com vários sensores em um rio  de água de degelo na Groenlândia. Por: Goddard Space Flight Center / NASA Jefferson Beck

Aquecimento global e o derretimento das calotas polares

Derretimento da calota polar
Derretimento da calota polar
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Aumento do nível do mar
Aumento do nível do mar
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Vida animal ameaçada
Vida animal ameaçada
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Praia de Atafona localizada no distrito de São João da Barra, município do norte-fluminense., onde o mar avança sobre a cidade desde os anos 70 e vem destruindo ruas inteiras.

Fonte: NASA / O GLOBO

Tanzaniano cria filtro de água à base de nanotecnologia para fornecer água potável limpa e segura.

 

 

 

     Dr. Askwar Hilonga, um engenheiro químico Tanzaniano do Instituto Africano de Ciência e Tecnologia Nelson Mandela, desenvolveu um novo sistema de filtro de água, integrando a nanotecnologia com filtração de água à base de areia para fornecer água potável limpa e segura.  O filtro pode remover 99,9 por cento das bactérias, microrganismos e vírus. 

     

     A motivação surgiu na infância. Criado em uma família com recursos escassos, ele e sua família sofriam com doenças transmitidas pela água, pois sua famíla não podia se dar ao luxo de adquirir água engarrafada devido ao seu elevado custo. 

   

    -"Na Tanzânia, 70 por cento dos lares, de nove milhões de famílias, não usam qualquer tipo de filtro. Isso é só na Tanzânia, nove milhões de famílias. Agora imagine no Quênia, Uganda, Etiópia, África subsaariana, Índia e em outros lugares. Assim, o mercado é muito grande ", explicou o Dr. Hilonga.

 

      A tecnologia, segundo Hilonga, consiste na habilidade manipular nanomateriais para remover elementos contaminantes específicos (como cobre ou bactérias), dependendo de qual for a fonte da água. O filtro já foi patenteado por seu criador. "A areia retém detritos e bactérias, mas não remove contaminantes químicos e metais pesados, então, usei nanomateriais para fazer isso", disse Hilonga. Ele acrescenta que no futuro, pretende desenvolver todo um sistema independente, a partir da caixa do filtro à garrafas de água.

 

    O processo é acessível e sustentável e altamente relevante em zonas rurais em toda a África, onde o acesso a água potável continua a ser um desafio enorme. 

 

Fonte: Reuters