Tragédia em Mariana, MG

"O Rio Doce está morto!" é o que muitos afirmam após verem o tamanho da catástrofe provocada pelo rompimento das duas barragens da Samarco em Mariana, MG. O caminho da devastação causada pelos resíduos da mineiração é de centenas de quilômetros atingindo dois estados, Minas Gerais e Espírito Santo. O tsunami de lama arrastou povoados, matou pessoas, devastou o ecossistema da região, arrasou a economia das 14 cidades banhadas pelo rio e causou o desabastecimento e consequente corrida pela preciosa água potável.

O governo de Minas Gerais realizou testes na água do Rio Doce, onde foi constatado alto teor de metais pesados acima do limite tolerável. A mineradora Samarco diz "reiterar seu compromisso de continuar trabalhando para minimizar os impactos", mas como "ressussitar" um ecossistema totalmente dizimado? O IBAMA em 12/11/15, multou a mineradora Samarco em 100 milhões. Mas nenhum ressarcimento financeiro trará conforto as famílias que tudo perderam e as centenas de espécies como piau, traíra, cascudo e dourado que foram encontrados sem vida ou agonizando. Os peixes que estão sendo encontrados no rio não devem ser consumidos devido ao alto teor de metais tóxicos como mercúrio, chumbo, manganês, ferro, alumínio a que eles foram expostos.


Mas o que causou o rompimento? O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília registrou dois tremores de baixa magnitude próximos ao local. Porém, de acordo com um laudo obtido pelo Jornal da Globo, o risco já era conhecido, o que caracteriza negligência da empresa. O órgão que licenciou o empreendimento é a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam/MG), que será responsável em apurar as responsabilidades e adotar as medidas previstas na legislação. Por desempenhar atividade de risco a Samarco precisou obter um licenciamento ambiental, e para tal ela precisou apresentar um plano de mitigação para recuperação de áreas degradadas por ela. E agora? Onde está este plano de contingência? Como minimizar a perda da fauna e flora que leverá décadas até se recuperar? E as vidas humanas perdidas? Ainda continuamos sem resposta...


O Aquarela Ambiental estará acompanhado o desenrolar desta tragédia, na esperança que os diversos setores da sociedade e economia brasileira se mobilizem em prol de uma solução para recuperar uma parte importante do nosso ecossistema tão castigado pela incompetência e descaso daqueles que pregam o "desenvolvimeto a qualquer custo".


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